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Terça-feira, Novembro 10, 2009

Ele viveu entre nós

Veja a entrevista deste padre neste link, é sensacional: http://www.youtube.com/watch?v=17XkZWn6yFI


Ele viveu entre nós
Frei Betto
Salão do Sindicato dos Cozinheiros de Paris, início da década de 40. 0 presidente indaga quantos trabalhadores tem um mes de férias por ano. Uns tantos se levantam. Quem tem apenas uma semana de descanso. Uns poucos ficam de pé. Quem só obtém licença do patrão para descansar apenas no fim de semana. Outro punhado de pé. Quem nunca descansa? Um rapaz suíço, com pouco mais de um metro e meio de altura, levanta-se ao fundo. Era Alfredo Kunz, um militante cristão.
Meses depois, Alfredinho, como era conhecido, foi mobilizado pelo Exército francês para lutar contra o avanço das tropas de Hitler. Aprisionado, passou a guerra num campo de concentração na Áustria, ao lado de prisioneiros soviéticos. Aprendeu russo para pregar o Evangelho a seus companheiros de infortúnio. Em 1945, logrou fugir do campo, onde morreram cerca de 40 mil pessoas. Estranhou a indiferença dos soldados nazistas que cruzavam com ele, um notório evadido, com uniforme azul e cabeça raspada. Naquele dia, a guerra terminara.
Alfredinho tomou três decisões: tornar-se padre, trabalhar com os mais pobres entre os pobres e jamais vestir outra roupa que não reproduzisse o modelo do uniforme do campo, em memória de seus companheiros mortos.
Ingressou na congregação dos Filhos da Caridade e, a convite de dom Antônio Fragoso, em 1968 veio para a Diocese de Crateús (CE). Perguntou ao bispo qual era a paróquia mais miserável da diocese. Dom Fragoso apontou Tauá, região de seca e flagelo. Alfredinho instalou-se na capela local. Desprovida de casa paroquial, ele dormia no colchão estendido junto ao altar e cozinhava num fogareiro.
Certa noite, foi chamado para atender uma prostituta que, cancerosa, agonizava em seu barraco de taipa, na zona boêmia. Antonieta queria confessar-se. Padre Alfredinho disse a ela: "Somos nós que devemos pedir perdão a você. Perdão pelos pecados de uma sociedade que não Ihe ofereceu outra alternativa de vida. Como Jesus prometeu, Antonieta, você nos precederá no Reino de Deus. Interceda por nós."
Após receber a absolvição e a unção dos enfermos, a mulher faleceu. Não havia dinheiro para o caixão. As prostitutas enrolaram a companheira num lençol e arrancaram a porta de madeira do barraco para levar o corpo a vala comum do cemitério. Ao retornar para colocar a porta no lugar, Alfredinho teve uma inspiração. Durante anos, o vigário de Tauá habitou aquele casebre em plena zona boêmia da cidade.
Num tempo de seca, os flagelados invadiam as cidades do Ceará. Temerosos, muitos fechavam as portas. Alfredinho criou a campanha da Porta Aberta ao Faminto (PAF), cartaz que cerca de 2 mil fami1ias ostentaram em suas casas, acolhendo as vítimas do descaso do poder público.
Fomos amigos e bebi de sua espiritualidade. Barbado, vestido com a roupa azul que lembrava um macacão, sandálias nos pés e mochila nas costas, o aspecto de Alfredinho não diferia do de um mendigo. Convidado a pregar o retiro dos franciscanos, em Campina Grande, chegou de madrugada e dormiu na escada da igreja do convento. Ao acordar, catou as moedas que encontrou em volta e bateu a porta. "Quero falar com o superior", disse ao porteiro. "O superior não pode atender. Está em retiro." Alfredinho tentou esclarecer: "Sim, eu sei, pois vim pregar oretiro." O porteiro já ia expulsá-lo quando Alfredinho foi reconhecido por um frade que passava.
Testemunhei fato idêntico em Vitória, nos anos 70. A cozinheira interrompeu meu jantar com dom João Batista da Motta Albuquerque para comunicar: "Um mendigo insiste em falar com o senhor." O arcebispo reagiu: "Diga a ele que espere, minha filha. Vou atende-lo após o jantar." Era o padre Alfredinho, que viera pregar o retiro do clero local.
Em 1988, Alfredinho mudou-se para a Favela Lamartine, em Santo André (SP). Passou a viver entre o povo da rua e a dedicar-se a confraria que fundou, a Irmandade do Servo Sofredor (Isso), hoje congregando pessoas consagradas aos mais pobres em dez Estados do Brasil e vários países. Sua trajetória espiritual entre os excluídos está narrada em seus livros, muitos traduzidos no exterior: A sombra do Nabucodonosor, A Ovelha de Urias, A Burrinha de Balaão, A Espada de Gedeão e O Cobrador.
No domingo, 13 de agosto, Alfredinho transvivenciou, acolhido por Aquele que era o seu caso de Amor. Deixou como herança o testemunho de que uma Igreja afastada do pobre é uma Igreja de costas para Jesus..
Frei Betto, escritor, é autor do romance sobre exclusão social Hotel Brasil (Ática), entre outros livros

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Viva a Reforma?

por Ednelson Coelho

Quanto menos teologizados são as pessoas, mais facilmente discernirão
as verdades de Jesus. (Ednelson Coelho)

Hoje é o dia da Reforma! Reforma? Que Reforma? A que começou com um
homem pregando 95 teses na porta de um castelo? Sim, para os
“protestantes” hoje é um dia de comemoração, alegria, cumprimentos,
festa. Festa. Festejar o que? Comemorar o que? Porque Lutero
“descobriu” que a salvação é pela fé?  Não Foi o Senhor que instituiu
isso? Então porque se alegrar em Lutero? Mas Jesus não usou Lutero
para disseminar tal Verdade? Claro! Lutero foi um homem escolhido de
Deus para semear tal Verdade, mas... e hoje? Como está a “reforma”?
Como andam as “igrejas protestantes”, “paridas” por Lutero? Mortas!
Absolutamente falidas! Todas, sem exceção, todas as instituições
protestantes estão contaminadas com doutrinas, regras, dogmas,
preceitos e teologias inventadas pelos homens. Jesus está dizendo a
elas: “Eu sei das tuas obras, que tens nome de que vives e estás
morta”(Ap 3:2). Nenhuma escapa da “prostituição espiritual” que as
corrompem como câncer, deixando-as de ver, seguir, discernir,
analisar, compreender e imitar o Cabeça da verdadeira Igreja, Jesus.
Suas lideranças estão vendidas em acordos políticos. Seus “sinédrios”
julgam correto matar, roubar, mentir, fingir, acobertar, extorquir,
falsificar, sonegar, evadir, manipular e acorrentar para manter a
“Reforma” viva ante seus seguidores. Seus “sumos sacerdotes” se
perpetuam no poder. Seus escribas e fariseus se digladiam em embates
teológicos infindáveis, cada um defendendo suas “crendices” acerca de
Alguém “inteologizável”. Entre eles há uma enorme “discordância
teológica”, mas quando é para matar alguns que querem apenas seguir a
pureza e simplicidade do Evangelho, se “unem”, maquinam e traçam
planos para destruí-los. Foi assim com Jesus e será assim com quem
quer viver somente olhando para Ele.

Em nome da “Reforma” jogaram o “defunto” na mesa do “necrotério
teológico”, o qual os “doutores da Lei” chamaram de “Jesus” e
começaram a exumação. Escancararam suas “vísceras”, analisaram seu
“crânio”, abriram seu “coração”, jogaram fora a Graça, pois, segundo
eles, para nada servi e, depois de alguns anos nasceu a “Teologia
Protestante”, a fim de se “contrapor” ao dogmatismo católico;
“regralizar” Aquele que não segui as regras desta sociedade podre e
corrompida, pois Ele disse que seu Reino não é deste mundo; verberar o
indescritível, encaxapar Jesus e decretar aos homens como deveriam
estudar Deus. E, em nome da “Reforma Teológica Protestante”, os
eruditos protestantes “canonizaram” o surto de João: “Mestre, vimos um
que expulsava demônios em teu nome, e lho proibimos, porque não te
segue Conosco” (Lc 9:49). João, representando todos que os que hoje
sofrem com “surto de grandeza importancial” chegou a proibir o que não
andava “conosco”. Essa é a pior desgraça que existe hoje, a “confraria
religiosa” do “Conosco”. Se não andar “conosco” não tem salvação. Se
não aceitar a submissão impositiva não pode permanecer “conosco”. Se
não estudar a nossa “teologia” não pode pastorear “conosco”.

O “conosco” é mais importante de que Jesus. O “conosco” toma decisões
sem ao menos consultar a Jesus. O “conosco” tentar dogmatizar e
canalizar a si o “indogmatizável”. O “conosco” cria “verdades”
estranhas até mesmo para a Verdade. O “conosco” cria regras e
preceitos que aquele que não cumprir será taxado de herege. Com isso,
o “conosco” se torna, em seu surto, o ente representante da
Celestialidade na Terra. O que o “conosco” não esperava era a severa
repreensão da Verdade: “E Jesus lhe respondeu: Não o proibais, pois
quem não é contra nós e por nós”. E, com essas palavras, Jesus acaba
com o sonho de exclusividade do “conosco”. Como isso nunca foi
assimilado pelo Protestantismo (conosco), pois arroga a si a
detentoria das “verdades” eternas de Deus tal qual os judeus, eles,
ainda hoje, vivem a delirar em seus devaneios exclusivistas, surtados,
literalmente. Por isso nunca aceitam salvação fora das “santas”
igrejas protestantes, apelidadas por João de “Conosco”.

O “conosco” não sabe, ou fingi não saber, que Jesus não veio a este
mundo para ser exegetizado, hermeneutizado, apologetizado ou
homiletizado. Jesus veio para a este mundo para reconciliar com o Pai
os seres humanos, ser aceito, confessado, vivido e discernido a partir
de observações feitas de seu modo de tratar, andar, comer, beber,
entrar, sair, dialogar, repreender, olhar, sentir e se portar diante
das várias situações que a vida nos impõe. “Quem me vê a mim, vê o
Pai” disse a Verdade. Quem faz isso não precisará se teologizar com o
“conosco”, pois os que interiorizam isso jamais serão exegetas,
apologetas, hermeneutas ou recorrerão a homilética, pois todos, todos
mesmo que assim fizerem serão apenas CRISTÃOS, verdadeiros discípulos
de Jesus, o que irritará profundamente o “conosco”, os da boa
“oratória”, da “exegese” e dos “guardiões dos oráculos e verdades de
Cristo”, pois isto vai à contramão de tudo o que o “conosco” ensina.
Por isso que eu e muitos outros que já entenderam assim escandalizamos
o “conosco”.

A Reforma protestante para mim apenas criou um “mutante” do
catolicismo romano, pois estes são tão iguais, tão parecidos que
apenas o que os diferem são o culto a Maria e aos santos. Quanto à
hierarquia, submissão, respeito às tradições, juramentos de
fidelidade, mentiras, falcatruas, perversão, detentoria da verdade,
prostituição espiritual, moral, político e muitos outros quesitos que
não foram citados, protestantes e católicos andam de mãos dadas.

A única Reforma que eu acredito é a “Reforma da Consciência”, onde o
ser humano crê em seu coração e confessa com sua boca que Jesus Cristo
é o Senhor e, partir disso, ele começa um processo de aprendizado e
adequação de vida a partir dos exemplos de Jesus descritos na Palavra
penas, não em dogmas, teologias e regras “santificadoras” que as
religiões criaram para ajudar a Deus. Tendo sempre em mente que nós já
fomos reconciliados com Deus em Cristo, fazendo de nós seres livres,
(apenas abalizados pela consciência em Cristo) um ente da
celestialidade, um ser que vai buscar em Cristo apenas os exemplos a
serem seguidos. Nessa Reforma sim, eu creio e louvo a Deus sempre que
a vejo.

Viva a Reforma da Consciência! Viva a Liberdade em Cristo! Viva a
Reconciliação de Deus em Jesus!

COVIL DE SALTEADORES

É proibido pensar

REVISTA NO CAMINHO