VÍDEOS VIMEO


Quinta-feira, Outubro 08, 2009

LIVRAI-NOS DA CAIOFOBIA SENHOR

Estava tão acostumado a ver o Caio Fábio com o seu jeitão de pregador
revolucionário, vestido elegantemente de terno e gravata, com o ar
altivo de quem irradia confiança e carisma, que a minha resistência
psicológica ao que não é padrão, às vezes, não quer aceitar o seu novo
jeito simples e humilde de pregar como quem está conversando na mesa
de um botequim.


Tenho bem guardado na memória os gigantescos congressos, nos quais,
ele sempre era o orador oficial escolhido por unanimidade. Lembro-me
ainda do grande número de pastores que nos palanques e púlpitos
disputavam um lugar ao seu lado, todos boquiabertos com a maneira
enfática e convincente, que só ele possuía, ao manejar a Palavra. E eu
maravilhado, o via como um comandante vitorioso em seu panteão de
glória, com a espada brandindo no ar, repelindo as hostes inimigas com
brados de guerra, que em minha imaginação se transformavam em dardos
flamejantes espargidos no ar, ao som de aclamações que me envolviam
num clima comovente e quase ficcional.


Agora, me comungo com um Caio simples e sem arroubos, desprovido de
sua indumentária costumeira, trocada por uma roupa simples de homem do
povo. Vejo-o mais perto de mim, como quem está conversando no terraço
de minha casa, tendo nos pés apenas um par de chinelos. A grande
plateia transformou-se de repente em uns poucos, mas sinceros e
silenciosos jovens numa pequena sala. Sinto-me gratificado ao ouvir o
Caio de hoje, mais contundente e mais incisivo nas suas críticas ao
simulacro de cristianismo que por aí se prega, Vejo-me junto da
“galera” ─ todos sentados em bancos duros, ouvindo ele exercitar os
dons que Deus lhe concedeu.


Esqueci esse negócio de vestimenta especial dos que sentam em cadeiras
altas, fofas e confortáveis dos “púlpitos cristãos”, fechei os olhos
para a exterioridade e para essa casca bela e cara com que recobrimos
o nosso corpo. Soltei as amarras da falsa e tradicional santidade
empoeirada, e deixei-me surpreender pela fala do agora mais maduro
Caio. Deixei-me flutuar ante os seus firmes, significantes e bem
elaborados estudos bíblicos. As palavras que agora saem de sua boca,
talvez, não tenham aquele calor que incendiava os ambientes e levavam
muitos ao êxtase. Hoje, eu sinto nelas, um sabor diferente, que só com
o auxílio do silêncio poderão ser perfeitamente degustadas. Ouço as
suas preleções como quem ouve um concerto de uma orquestra sinfônica,
o qual, para ser sentido com a alma requer o máximo de silêncio.


O seu jeito mais humilde, os seus trajes idênticos aos do povão, a sua
mensagem fluindo como a placidez das águas de um rio, foram fatores
preponderantes para desvanecer a “Caiofobia” que me invadira há algum
tempo. Então, eu pude despertar para entender que aquele mal-estar
inicial que se apoderara de mim, era simplesmente o ranço do
preconceito, por me ver privado agora da exterioridade do reverendo
dos tempos de minha “Caiomania”. Tinha sido eu mesmo que criara um
pedestal para que o antigo Caio se solidificasse em minha mente como
uma imagem de escultura. Ao mudar a sua postura, o velho Caio levou
consigo a imagem petrificada, que eu fizera dele ─, análogo a
composição musical “A Rita”, de Chico Buarque, que aqui cito um
trecho: “...ele me causou perdas e danos. Levou os meus planos, meus
pobres enganos[...]”


Apesar de relegado ao ostracismo pelos fariseus de ocasião, virando
“saco de pancada” dos que antes o aplaudiam, o Caio não se atemorizou
nem se acovardou. Renovou suas forças, e teve a humildade e a coragem
de continuar sua missão, agora mais solitário, sem os amigos de Jó por
perto, sem as pompas e adulações que antes mais atrapalhava do que
ajudava o seu caminhar.


No tempo de Moisés, os filhos de Israel destinavam um bode, para
receber por transferência, todos os pecados por eles cometidos. Será
que os “Caiofóbicos” empedernidos da atualidade não estão querendo que
o Reverendo tome o lugar do “bode expiatório” de que relata a Bíblia,
para então assim, se verem livres de suas próprias mazelas e sujeiras
escondidas a sete chaves?

TRANSCRITO de Levi Bronzeado

2 comentários:

Bruno Jardim disse...

Que Deus possa continuar te usando ...
Gostei do seu blog ! Já me tornei seguidor !!

abraços

UPA IPJ.A disse...

OLÁ SOMOS DA IGREJA PRESBITERIANA DE LIMEIRA SP. ESTAMOS FAZENDO UMA VISIINHA EM SEU BLOG.
VISITE O NOSSO E SINTA-SE A VONTADE...
PS: SEJA NOSSO SEGUIDOR!
PAZ NO SENHOR
UPA!

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