“O inferno foi criado para o diabo e seus anjos (Mt 25.41), gente pra ir pra lá tem de ter virado demônio, pois inferno é “divórcio”, é uma solução permitida pela dureza do coração dos anjos.” Caio Fábio
E quando não cremos que Deus é Amor, que um ser humano como eu que é mau, não permitiria o SOFRIMENTO ETERNO de um cachorro criado por mim, mas que Deus certamente condena quem quer que seja a tortura ininterrupta num tempo sem fim, nos tornamos satanases do Amor.
Hipoteticamente se Deus no último dia decidisse perdoar a TODOS, isto é, a 100% das pessoas que já viveram, que vivem e que viverão no planeta Terra, os cristãos se tornariam os satanases, ou adversários da Nova Jerusalém.
Isso tão somente porque a salvação universal é totalmente contra o que está registrado no livro sagrado, deixando assim Deus confinado, preso, encarcerado às regras que Ele mesmo estabeleceu e que em nossa insignificância julgamos imutáveis. Esquecemos que Jesus disse:
“Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora” (João 16:12).
“Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom?” (Mt 20.15).
O problema das certezas é exatamente o que ocorreu com os Judeus na época de Jesus, os fariseus, os saduceus, os sacerdotes e o sinédrio tinham todas as certezas e toda a clareza a respeito dos textos das Escrituras. No entanto o Filho de Deus desceu do céu desconstruindo tudo, acusando de mentira todas as certezas religiosas deles.
Acusando-os de filhos de satã pela falta de misericórdia e pela mentira pregada em nome de Deus. E por que seria diferente com os “evangélicos”?
Se não suportamos nem ao menos ficarmos sem saber quem pecou, este ou seus pais para que nascesse cego (João 9.2). Quanto mais os segredos escondidos no coração de Deus.
Se matamos o Filho de Deus porque Ele lia as Escrituras a partir dEle e não a partir da ortodoxia vigente, quanto mais agora não viraríamos os carrascos de Deus se Ele decidisse ousar usar de misericórdia para com TODOS.
“Misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos.” (Oséias 6:6).
Em nossa justiça após termos tão somente sido justificados pelo Justo e isso de graça e pela Graça, nos assentamos na cadeira de Moisés e legislamos e estabelecemos regras e perversidades contra o próximo que tão somente ainda não aceitou de graça a salvação que a TODOS foi oferecida.
O ódio transpira em todo o nosso ser, afinal aqueles que são tão perversos quanto nós, ousam recusar a graça que tão somente aceitamos por ter Deus primeiramente usado de misericórdia para conosco, nos ressuscitando espiritualmente, curando nossa cegueira para que somente depois nós enxergássemos o que nos estava sendo oferecido e pudéssemos aceitar.
Quando estávamos MORTOS em nossos delitos, em nossas ilusões, em nossos delírios, em nossos desatinos, em nossos vãos pensamentos de justiça, em nossos distúrbios de julgamento da realidade espiritual e em nossos pecados, agíamos exatamente igual a TODOS. Mas agora que a misericórdia de Deus nos resgatou, julgamos que é pela ausência de vontade que as pessoas recusam a Graça de Deus, sendo que morto não vê, morto não fala, morto não raciocina, morto não tem o poder de escolher absolutamente nada, porque morto, é MORTO.
A natureza da morte é o empecilho que faz com que os mortos continuem mortos e se não houve um milagre de ressurreição, esses não tem poder algum para escolher crer em Jesus Cristo e serem por Ele salvos da ira que virá.
E aí, em meio a este monte de julgamentos condenatórios, já nos perdemos, já nos tornamos em Luciferzinhos que subiram mais alto que o altíssimo a ponto de sentenciar pessoas ao inferno eterno, inferno este que talvez o Apocalipse esteja afirmando que morre junto com a cova em Apocalipse 20.14.
Talvez você esteja pensando que eu não creio no inferno, eu realmente creio é em Cristo, o inferno pra mim é como uma amputação, corta-se para que o doente não morra. Eu creio em inferno sim, mas eu não tenho orgasmos maravilhosos em pensar em gente no inferno. Isso não me dá prazer algum.
Se Deus por misericórdia decidisse agir em TODOS em todas as épocas os justificando, aí sim eu entraria em êxtase, mas o inferno não é um fetiche que me excite.
Eu creio que muitos irão pra lá, eu creio que não é Deus quem joga alguém no inferno, eu tenho clareza e discernimento para ver que é o pecado da própria pessoa que a faz ir para o inferno.
É a recusa insistente da Graça de Deus em Cristo que os transporta dessa vida para a geografia infernal e que é essa mesma recusa que os fazem permanecer para sempre nas regiões infernais.
Eu sei que isso não é desejo de Deus, que Deus é Amor. Não erro o alvo dizendo que Deus é o culpado de lançar gente no sofrimento eterno, visto que o sofrimento é escolha da pessoa morta espiritualmente e que a permanência neste sofrimento é tão somente o resultado da perseverança na não aceitação da graça de Deus em seu favor.
Portanto, eu sei exatamente o que a ortodoxia ensina, o que me recuso, é aceitar a impossibilidade de revelações extra vida terrena. Deus é livre e com toda a certeza do meu ser, Ele nos surpreenderá sempre.
“Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus. Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.” (Mt 8.11-12).
“porque, por isto, foi pregado o evangelho (gr. evangelizo) também aos mortos , para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens, na carne, mas vivessem segundo Deus, em espírito.” (I Pe 4.6).
O texto de I Pedro acima abre um leque de liberdade para que Deus seja Deus quando e onde queria, ou seja, Ele evangelizou espíritos em prisão. Talvez seja hora de reavaliarmos nossas certezas e nos colocarmos em nosso devido lugar que é da insignificância universal. Da total impossibilidade de conhecermos a verdade TODA, sendo que aqui conhecemos em parte, tudo aqui é em parte.
Este texto não tem nada a ver com o purgatório, visto que está consumado, pois “tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu- o inteiramente, encravando-o na cruz” (Cl 2.14), mas houve um encontro de Jesus Cristo com os espíritos presos nas regiões infernais para que os que morreram antes de Sua vinda, também ouvissem o Evangelho.
Sendo assim, com Deus agindo de forma heterodoxa segundo a nossa Teologia, devemos ao menos aceitar nosso desconhecimento sobre muitas coisas não reveladas, pois “as coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre” (Dt 29.29).
Cláudio
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